Delírio
quarta-feira 29 de outubro de 2014 às 10:39 | Arquivado em: One-shot, Papéis Avulsos

Eu vivo num mundo de sensações. Cores, sons, memória. Tudo se confunde, se mistura. Eu existo num furacão, perdida em mim mesma, buscando, sempre buscando. Uma viagem fantástica, sem fim… A vida, nascer, morrer.

Vivo numa ampulheta. A areia passa por mim, zombeteira. Um sonho, delírio de realidade. O mundo está realmente lá? O que é o tempo, se não uma invenção? Medida de valor dos momentos. Eu inventei o mundo e me perdi nele. E o tempo zomba de mim.

Vejo rostos, risos, lágrimas… Não sinto nada. Perdida em mim mesma, girando na encruzilhada. Para onde devo ir? Só eu posso saber e ainda assim…

Um passo a esmo, caminho pela estrada de terra, sentido o cheiro de chuva, vendo o céu se tingir de rosa enquanto o sol acorda. O começo.

Meu fim.

 

Eu sou delírio irreal do universo, sem importância, um fragmento. Eu sou o centro do mundo, egoísta, esnobe. Eu sou conflito, tempestade, batalha constante.

E caminho em direção ao vazio.


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Sobre o universo, a vida e tudo o mais
segunda-feira 29 de setembro de 2014 às 16:33 | Arquivado em: Blog, Desabafo, Dia-a-dia

Oi gente.

Eu sei, tenho sido uma dona relapsa e não atualizo isso aqui como deveria. Pra ser bem sincera, eu não escrevo com tanta frequência quanto gostaria. É por isso que tenho mantido o ritmo de 1 atualização por mês… sem dia fixo. Mas eu quero mudar isso. Quero escrever mais, fazer mais coisas.

Não sei quantos de vocês perceberam que eu coloquei fotos minhas no Facebook. Foi uma das ideias que eu tive – atualizar o a fanpage toda semana com fotos e atualizar o blog com textos uma vez por mês. Isso não deu muito certo. Eu não estou satisfeita.

Eu nunca estou satisfeita. E acabo não fazendo nada.

Bem, eu vou pensar em algo. Tenho alguns projetos em mente, mas eles são todos a longo prazo, então não vou comentar sobre isso aqui.

A minha vida tem estado um pouco frenética – eu estou na reta final da minha faculdade, é fazer a monografia, defender e ser feliz! Além disso, quero ingressar no mestrado direto depois da minha formatura. Vocês podem imaginar a correria.

Estou trabalhando num tema novo pro blog, ele deve entrar no ar mês que vem!

E era basicamente isso que eu tinha pra falar.

Até mais!


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Tempestade
quarta-feira 27 de agosto de 2014 às 16:29 | Arquivado em: One-shot, Original, Papéis Avulsos

Sarye estava encolhida na cama, usando o lençol para se proteger do escuro. O vento uivava, assobiando por entre as frestas da madeira. A chuva forte inundava o lugar com o cheiro de terra molhada. A menina sabia que estava sozinha em casa, Ikne tinha saído para caçar e só voltaria com comida. Isso podia demorar dias. Essas viagens não eram incomuns, mas sempre tinha Zymne para lhe fazer companhia. Hoje, não havia ninguém.

Um barulho forte a fez soltar um grito de susto e medo e a porta do quarto, agora aberta, bateu com força ao ser empurrada pelo vento. E se eles estivessem lá fora? Não havia ninguém para protegê-la ali. O breu era total, Sarye não enxergava nada além dos joelhos que mantinha grudados ao peito. Outra porta bateu ao longe… Se fosse a porta de entrada, eles poderiam entrar. Engoliu em seco enquanto juntava coragem para sair da cama.

Um pé depois o outro. Era simples, fácil. O vento balançava as árvores e a terra molhada abafaria o som de passos, se alguém estivesse por perto. Um pé depois o outro. Sarye já estava na sala e podia sentir o ar gelado e as gotas de chuva que entravam pela porta aberta. Um pé depois do outro. Um trovão caiu próximo, ensurdecedor. O clarão iluminou a noite e a menina começou a chorar. Correu o mais rápido que seus pézinhos permitiam para fechar a porta.

 

Ikne chegou pela manhã e encontrou a pequena dormindo contra a porta.


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Guarda-chuva rosa
quinta-feira 31 de julho de 2014 às 00:44 | Arquivado em: Original, Papéis Avulsos

Ela andava, corria, chorava entre as pessoas. Lágrimas que se misturavam em chuva, brilhavam como estrelas e se perdiam no chão. Andava, vagava, perdida entre passos que não sabia onde a levariam. A multidão era sua camuflagem, seu conforto, um refúgio da vida, o único momento em que se sentia livre. O único momento em que era invisível.

Deixou que o choro se esgotasse e olhou para o céu com olhos vermelhos. A noite era linda, mesmo que as nuvens encobrissem a lua e seus súditos. Ela não saberia dizer porque chorava, não importava. O riso veio subindo pela garganta e ela riu baixinho. Também não saberia dizer o que era engraçado naquele momento.

Não queria voltar pra casa e deixou que seus pensamentos se perdessem junto com seu corpo. Tinha sido um dia difícil, não tinha? Não conseguia lembrar muita coisa… Riu de novo. Sem motivo. Se sentiu melhor. E começou a chorar de novo.

Andou até um parque, sentou num banco e deixou que a chuva a enxarcasse enquanto observava a multidão. Esvaziando a mente, deixando que seus pensamentos se esvaíssem em lágrimas. Ela ficou lá, sentada, olhando a multidão que passava, alheia a ela.

Era dia quando a menina voltou para casa, embaixo do seu guarda-chuva rosa.


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Um Conto de Fadas
sábado 21 de junho de 2014 às 12:19 | Arquivado em: Original, Papéis Avulsos

Capítulo 3

 

Nunca esperei que recuperar o que me foi tirado fosse uma tarefa simples, fácil. Sabia que exigiria um esforço sobrehumano, mas eu sou sobrehumana… Não estava preparada para a jornada de autoconhecimento que me esperava, espreitando pelas sombras. Iria enfrentar a mim mesa, provavelmente num embate mortal.

 

Caitlyn era uma modelo famosa, cercada por bajuladores e intrigas. Ela se sentia confortável naquele mundo superficial, onde as aparências escondem cobras esperando para dar o bote. Era o seu habitat natural e teria sido o meu.

Minha vida, meu nome e existência enquanto ser humano agora pertenciam a um ser tão alienígena quanto eu. E ainda assim, ela era parte de mim. Adimitir isso foi difícil, levou mais tempo do que seria sensato. Eu decorei sua rotina e ela olhava por sob o ombro, nervosa.

A primeira vez que me aproximei, ela esperava por mim. Quis saber se eu ia matá-la, mas ela não queria morrer. Ela chorou e implorou e foi falso, eu sabia disso, ela manipulava todos. Mas ainda assim, era meu rosto chorando, a minha voz implorando. Minha alma ansiava por liberdade. E eu fui embora para nunca mais voltar.

 

Quem efetivamente devolveu minha vida foi um amigo que me devia um favor. Forjando um acidente de carro, ele a sequestrou e matou. E eu recebi minha vida de volta ao entrar nos destroços.

 

Viver como Caitlyn era estranhamente familiar e recompensador. Ela ganhara fama para mim, mas eu era melhor que ela nisso, mais bela e carismática. O que eu precisei aprender, e rápido, foi a manipular as pessoas com frieza e crueldade para não ser derrubada por uma realidade que nunca foi minha. E eu percebi que por mais que aquela vida fosse minha por direito, ela sempre seria mais da Caitlyn que eu destruí.

Enquanto tentava balancear minha existência dúbia e sobrenatural com minha existência passada e humana, eu visitei minha filha. Minha agente foi contra, meu advogado também; meu coração ansiava por aquele momento e meus amigos apoiaram relutantes a minha decisão.

Meu ex-marido, e é estranho se descobrir divorciada quando sua mente ainda está em meio à uma paixão interrompida, tentando se convencer de que sabia o que fazer, ele era uma figura que me causava ansiedade. Foi um encontro desconfortável.

A humanidade que me fora arrancada tentava retomar seu canto em meu ser e era bloqueada pela minha nova natureza e, por isso, sei que ele percebeu que eu não era aquela com quem ele casou e de quem ele se separou.

Eu precisava convencê-lo a confiar em mim. Não fazia questão de ter seu amor de volta, eu sabia que seria impossível retomar o passado, nós dois mudamos com o tempo. Então eu soube que precisava dizer a verdade, mostrar a ele o que eu havia me tornado e encarar lembranças que assombravam meus sonhos.

Em uma promessa que me foi ensinada pelos meus iguais, eu o envolvi e mostrei a essência sobrenatural que exalava de mim. Era sutil ainda, mas perceptível mesmo assim. Ele cambaleou e me deixou entrar. Eu passei o dia com meu bebê, Evelyn, a lembrança que me trouxera de volta do pesadelo mais lindo e enebriante que eu jamais teria novamente.


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